Meu primeiro mochilão

Ao longo da minha juventude, digo, de minha adolescência em diante, adorava assistir na TV reportagens sobre os países. Ficava encantado com paisagens tão diferentes do local onde nasci, no meio do clima tropical amazônida de Belém do Pará. Imaginava um dia poder vislumbrar todas aquelas paisagens estonteantes que me deixavam boquiaberto pela televisão, e poder um dia me emocionar em ver pessoalmente aqueles lugares lindos com meus próprios olhos, ali, bem na minha frente. “Já pensou?”, era o que eu me perguntava. A partir daí, meus sonhos acabaram se tornando metas de vida: queria ser um viajante, um turista, um mochileiro, ou qualquer outro substantivo que pudesse empregar. O importante era estar lá e viver cada lugar, pé na estrada e alma aberta mundo afora. 

Dentre meus sonhos e metas, “o” meu suprassumo na verdade eram “dois”: Machu Picchu no Peru e qualquer lugar da Índia. Escrevo este post com dois intuitos: o primeiro é de dar uma força pra você pôr a mochila nas costas e sair por aí, e o outro é o de, quem sabe, ajudar você a escolher o seu primeiro destino. Digo isso porque foi mais ou menos o que aconteceu comigo.

Tenho um grande amigo que àquela altura já havia viajado bastante, e quando falei sobre o Peru, a frase que ele me disse foi “cara, o roteiro de viagem mais feito pelos brasileiros é Bolívia – Peru, além de ser o mais barato”. Ok, eu havia me decidido ali: vamos para Bolívia e Peru.

Chacaltaya01
Chacaltaya, La Paz, Bolívia

Se você já teve vontade de conhecer esses países, minha maior recomendação é essa: vá logo. Viajamos em 3 pessoas e passamos 21 dias entre os dois países. Eu, Heloisa e nosso amigo Rafael. Quando você viaja em grupo, você gasta bem menos. Então nosso roteiro foi partindo de avião de Belém até Santa Cruz de la Sierra. De lá seguimos para Sucre, Potosí, Uyuni, La Paz, Copacabana e Isla del Sol (Bolívia); Puno e Cusco (Peru) que serviu de base para os demais roteiros para conhecer os parques nacionais e ruínas incas daquela região. De Cusco voamos para Sta Cruz e depois retornamos à Belém.

Sim, estou tentando convencer você a fazer esta mesma viagem por diversos motivos que para nós foram essenciais:

  • Povo: muito acolhedor, adoram conversar e lhe ajudar no que você precisar e principalmente adoram sentar e contar suas histórias, de seus antepassados e de seu país. Cada bate papo aumenta seu nível de paixão e envolvimento com aquilo ali.
  • Cultura: riquíssima. O primeiro choque de vista que tivemos foi o de achar tudo muito colorido. As cores das roupas e das cidades logo saltam aos olhos. A música é a cara deles – ouve-se muita cúmbia em todos os lugares, de restaurantes à táxis, principalmente nos ônibus pelas tortuosas e perigosas estradas que ligam alguns interiores. No Peru há muitos museus com ótima preservação das antiguidades dentre vestimentas, histórias da violenta colonização espanhola, múmias e artefatos diversos, e pelas ruas de Cusco o que mais você vai encontrar são companhias de turismo se oferecendo pra levar você pra Machu Picchu e demais ruínas nos arredores da cidade. Aí é só dar uma pesquisada e escolher o melhor custo benefício. Já a Bolívia é bem menos organizada turisticamente, porém talvez aí resida e grande maravilha de viajar por esse país: eles tem grandiosíssimas belezas naturais, mas pra você chegar até os lugares, você tem que bater perna e bater papo com a população pra descobrir como chegar, onde você encontra uma empresa que possa te levar até o alto de uma montanha, por exemplo, ou que te leve para desbravar o Salar ou os interiores de uma mina ativa. E aos poucos quando você percebe, já está completamente envolvido com tudo e com todos. A Bolívia é sensacional!
  • Língua: Quando fomos, ninguém falava absolutamente nada de espanhol. Zerados! Bom, claro que brasileiro sempre se vira, né? Então a gente negociava tudo, conversava, contava e ouvia histórias, fazíamos amizades, e sim – é muito fácil de entender e de se comunicar. Realmente é muito parecido, e por lá o povo fala bem mais devagar do que na Argentina e no Chile, por exemplo, que você só começa a entender depois de uma semana ouvindo eles falarem na velocidade de uma McLaren. Então é ainda melhor pra você aprender um pouquinho de espanhol. Claro que passamos vergonha e muitas vezes arrancamos risadas deles hehe mas isso também faz parte do pacote e não é menos interessante de se aprender errando e às vezes falando uma palavra que nem existe na língua deles. Dica pra quando isso acontecer: procure um sinônimo em português que quase sempre funciona. Quero dizer, exceto quando bate a fome… É mais ou menos assim: você senta na mesa e pronto – o portunhol não funciona porque é tudo completamente diferente! Por exemplo:
    • garfo = tenedor
    • faca = cuchillo
    • colher = cuchara
    • copo = vaso
    • prato = plato (ok, aqui até passa)
    • frango = pollo
    • porco = cerdo ou chancho
    • banana = plátano
    • milho = choclo ou maíz; e por aí vai…

Pra essas horas devo lhe dizer que um dicionário é imprescindível. Ah, sim! Uma ajuda primordial pra quando você estiver negociando estadia e não passar a mesma vergonha por que passamos… Lembre-se disso: café da manhã = desayuno, e não “café de la mañana”!

  • Cu$to: Lá em cima contei que viajamos em 3 para passar 21 dias dentre os dois países. Então… Como essa foi minha primeira viagem de mochilão, eu fui com receio e preferi levar uma grana a mais pra qualquer eventualidade. Essa trip foi em 2011 e levei no bolso US$ 2.000. A Heloisa levou US$ 1.500 e nosso outro parceiro também. Almoçávamos normalmente em restaurantes medianos, dividindo os pratos quando a comida era muita, mas também comemos em muitas feiras, compramos muitas artesanias, fizemos muitas viagens de ônibus, ficamos em albergues (escolha sempre quarto com calefação), conhecemos tudo o que era possível dentro das cidades que visitamos na Bolívia e quando passaram os 10 primeiros dias, fomos ver nossa situação financeira. Cada um de nós tinha gastado US$ 300. Isso mesmo: 300 dólares em 10 dias. A viagem é muito viável financeiramente. Se o seu medo é esse, eu lhe digo: para 20 dias, US$ 1.200 é muito mais do que suficiente. Saímos para o Peru e nos achamos riquíssimos naquela altura: passamos a tomar vinhos todos os dias, almoçar e jantar em restaurantes melhores, hospedamos em lugares melhores, conhecemos todas as ruínas em torno de Cusco e do Vale Sagrado, compramos vôo Cusco – Sta Cruz, e na hora de voltar pra casa eu ainda tinha tanto dinheiro que comprei um PlayStation 3 num pequeno shopping no centro de Sta Cruz no valor de US$ 300, e ainda voltei pra casa com US$ 150 no bolso hehe.
Peru - Machu Picchu 01
Machu Picchu visto do alto da montanha de mesmo nome

Espero que esse post possa encorajar você a fazer sua primeira viagem, assim como fizemos nós. Se você tem algum receio com custo: eu lhe recomendo muito esse roteiro Bolívia – Peru, porque você irá se emocionar tanto durante a viagem, que quando você perceber, a estrada já te consumiu. Já era, amigo. Agora você terá que traçar os planos do seu próximo roteiro.

Caso você tenha se interessado, clique aqui pra ler nosso relato dia-a-dia  viajando Bolívia – Peru

3 comentários em “Meu primeiro mochilão”

  1. Isso muito me ajudou!!
    Não me lembrava disso!
    garfo = tenedor
    faca = cuchillo
    colher = cuchara
    copo = vaso
    prato = plato (ok, aqui até passa)
    frango = pollo
    porco = cerdo ou chancho
    banana = plátano
    milho = choclo ou maíz; e por aí vai…

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