Santa Cruz de la Sierra

Chegamos em Santa Cruz de La Sierra à noite, por volta de 00h em um voo lotado da Gol – algumas pessoas vão no famoso trem da morte, saindo de Campo Grande. Como nosso ponto de partida era Belém do Pará, ficou mais barato comprar passagens aéreas únicas de ida e volta pela Gol, para o mesmo destino. Assim, as passagens Belém – Santa Cruz – Belém nos custaram em torno de R$ 800. Ótimo negócio, principalmente que na época da viagem a Bolívia era um destino inacreditavelmente barato para se conhecer – cambiamos o dóllar à R$ 1,74 (#saudadesdessetempoquenãovoltamais).

Nossas bagagens demoraram a chegar na esteira e depois de cerca de 40 minutos lá vem elas: mochilas embaladas em papel filme porque somos brasileiros e todo brasileiro é escolado: como não é possível colocar cadeado, passamos o filme para lacrar. Uma boa ideia, chegou tudo em perfeito estado, nada sumiu. Ponto pros brazucas, somos safos.

No salão do aeroporto fomos completamente assediados por todos os tipos de taxista. Como era tarde da noite, não tinhamos albergue nem hotel reservado, estávamos cansados e com mochilas, negociamos com um que conhecia um lugar barato para ficarmos e poderia nos levar. Preço da corrida: U$15. Isso mesmo, 15 DÓLARES. Quem já foi na Bolívia sabe que esse valor é uma afronta, uma fortuna e pode pagar estadia em um bom albergue mais alimentação tranquilamente. Assim, ponto pros bolivianos. Fomos enrolados.

Bolívia---Sta-Cruz-01
Catedral de Santa Cruz de la Sierra na Plaza de Armas

Chegamos no albergue, quarto para três com banheiro privado (viajamos eu, o Daniel que  era meu namoradona época, e um amigo nosso, o Rafa). Não me lembro exatamente o preço, mas a diária ficou em torno de U$15 para os três. Reforço que esse era um lugar meio feinho, o banheiro não tinha box nem ventilador no quarto. Mas era barato, era tarde da noite e íamos ficar somente um dia na cidade. O objetivo era pernoitar, comprar nossas passagens para Sucre no outro dia, passar cerca de três dias nessa cidade nos aclimatando e rumar para Potosí – conhecer as minas na cidade mais alta do mundo. Então nosso pequeno quarto estava de ótimo tamanho. Dormimos felizes e animados por estar ali. Recomendamos ficar perto da Plaza de Armas, que é o centro da cidade e tem tudo em volta – mercado, restaurantes e câmbio por toda parte.

No dia seguinte acordamos cedo e fomos logo na rodoviária. Aquele monte de gente falando um espanhol rápido, o clima quente e abafado, e muita gente pela rua – já senti que a Bolívia era mais América do Sul que o Brasil; aquele estereótipo colorido que a gente tem na cabeça. O brasileiro é solar, mas mais pro norte e nordeste; no resto do país somos mais cosmopolitas, eu acho. A Bolívia não. Não tem como confundir com qualquer outro lugar do mundo. Quando andamos em São Paulo, por exemplo, vemos todo tipo de gente na rua, de roupas, de carros, de música. Em Santa Cruz eu tinha a impressão de estar em um lugar vibrante e pulsante, mas único. Como um oásis de cor exclusivo e pouco tropical – ali é seco e empoeirado. Um vento que não pára nunca, e bolivianos nos dizendo o tempo todo: “Brasileiro??? Ah, brasileiro gente boa!”

Bolívia---Sta-Cruz-03
Bolivianos ingressando em nosso busão roots

Sim, somos amados em qualquer lugar do mundo, eu acho. E, descobrimos depois, Santa Cruz é um pólo de brasileiros estudantes de medicina. Mas voltando a rodoviária: o Daniel foi negociar em seu lindo portunhol as passagens para Sucre. Enquanto negociava, comecei observar os ônibus parados no estacionamento do lado de fora: umas paradas velhas e sucateadas. Mas o vendedor de passagens mostrava uma foto pro Daniel de um ônibus leito, e dizia que era leito e que era bom, e que todos os bolivianos pegavam esse ônibus. Achei aquele papo meio furado, já me sentia enrolada pelo taxista da noite anterior e disse pro Daniel que só tava vendo ônibus velho.

Tomamos a decisão de ir perguntar em um posto policial dentro do terminal. Chegando lá, um mapa mostrava duas possibilidades para chegar em Potosi – Sucre e Cochabamba. Aparentemente por Sucre era bem mais perto, mas os policiais nos indicaram ir por Cochabamba – em nosso portunhol malemolente entendemos que a rota por Cochabamba era mais bonita, turística, florida e agradável. “Somos viajantes e não turistas”, pensamos. E logo em seguida decidimos ir por Sucre, mesmo sabendo que os ônibus não eram lá essas maravilhas. Passagens compradas, o ônibus saia do terminal às 15hs e chegava às 08hs do outro dia. Perfeito, uma diária de hostel economizada, vamos curtir a cidade então.

Bolívia---Sta-Cruz-02
É muita fofura!!

Passeamos no centro histórico de Santa Cruz, comemos uma tomatada de pollo e uma milanesa de pollo (o primeiro um guisado de frango que não tinha nenhum tomate e o outro um frango a milanesa), fizemos fotos, conhecemos uma criança linda onde almoçamos, compramos biscoito, água e frutas para viagem, arrumamos nossas coisas e partimos pra rodoviária. Tchau, Santa Cruz. Até logo. A próxima parada é Sucre! Só não sabíamos que o que nos esperava era a estrada da morte…

7 comentários em “Santa Cruz de la Sierra”

  1. Pingback: Sucre | Mundano

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