Machu Picchu: A Cidade Perdida dos Incas

Em um dos posts deste site conto que conhecer a Velha Montanha era um de meus sonhos de menino. Em 2011, depois de 11 dias viajando pelos interiores da Bolívia, chegamos em Cusco – o umbigo do mundo, a capital mundial dos mochileiros. É de lá que se parte para chegar em Machu Picchu, a cidade mais famosa do Vale Sagrado dos Incas. 

Se você também tem este mesmo sonho que eu, começo logo com uma primorosa dica: não compre nada antecipado! A cidade de Cusco é repleta de lojas de turismo, tem centenas espalhadas em cada ruazinha no entorno da plaza de armas, e o tempo inteiro vai ter gente lhe abordando oferecendo todos os tours possíveis pela região. Aí é só sair pesquisando o que mais vale à pena quanto à custo/benefício. Você pode por exemplo fechar com uma companhia turística pra lhe levar para o tour do Vale Sagrado (Pisac e Ollantaytambo) e Machu Picchu, e ganhar um desconto por comprar dois pacotes juntos. Levo isso em consideração do leitor porque no Peru conhecemos um carioca que comprou este pacote no Brasil e pagou US$ 1.000 pra fazer exatamente o mesmo passeio que fizemos pagando menos de 15% desse valor.

Em 2011, Machu Picchu comemorava 100 anos de sua descoberta pela civilização moderna. O tour até lá sai de ônibus de Cusco até Ollantaytambo, de onde pegamos um trem que saiu pontualmente como dizia no bilhete – exatamente às 12:52. O destino do trem é Águas Calientes, um vilarejo charmosíssimo na base das montanhas, cheio de restaurantes, hotéis, vinho, músicos de rua e gente de todas as nacionalidades.

Se vale contar uma historinha nas entrelinhas: o ônibus de Cusco não existiu – a companhia de turismo se virou o mais rápido que pôde e nos colocou num táxi que dirigia completamente maluco nas curvas das estradas até Ollantaytambo. A agente ficou que nem maluca pra nos colocar no carro, tava muito nervosa, brigando com o povo por causa do ônibus ou da inexistência dele. Ela tinha nos prometido que quando chegássemos em Águas Calientes, haveria uma pessoa na estação com uma placa com nossos nomes, e que depois essa mesma pessoa nos levaria até o hotel. À essa altura, depois de toda a confusão, dava pra acreditar mesmo que teria uma pessoa segurando uma plaquinha com o nosso nome?? Em pé, aguardando a nossa chegada?? Claro que não, né?! Mas tinha haha! A moça nos recebeu e nos guiou até nosso quarto, onde deixamos nossas coisas, tomamos um banho e descemos pra encontrar nosso guia e depois sair pra comer alguma coisa. Nosso guia nos disse o seguinte:

“Estejam de pé às 3:00 da manhã que sairemos 3:30 caminhando pela trilha que sobe a montanha até a entrada de Machu Picchu, onde vamos chegar por volta das 7:30”

Ok. (em vez de um ponto, eu deveria colocar reticências aqui hehe) Pois bem… saímos, né? Fomos dar uma volta pra conhecer a cidade e o mercado, compramos algumas coisinhas e no meio do caminho a Helô se engatou na minha mochila e começou a falar umas coisas lá. De repente um cara grita: “Ei! Vocês são brasileiros?”. Isso bastou… Entramos no bar onde ele tava sentado sozinho e enchemos a cara de vinho!! Ele se chamava Rodrigo, viajava sozinho e estava fazendo o caminho inverso ao nosso, ia de lá pra Bolívia, então o papo foi rolando, ficamos trocando dicas até quase uma da manhã. Só que a gente tinha que acordar às 3 da manhã!! Resolvemos voltar pro hotel pra dormir pelo menos um pouquinho, e cerca de uma hora depois já estávamos de pé pra seguir nosso rumo.

O guia chegou com um grupo enorme pra fazermos a trilha, acho que éramos cerca de 50 pessoas caminhando debaixo da lua crescente. Aos poucos íamos nos juntando a outros grupos e seguíamos ‘pasito’ em frente. A jornada é simplesmente montanha acima através de degraus construídos pelos antigos povos incas, subindo aquela escadaria de pedras por mais de 3 horas… Durante o longo percurso os grupos vão se misturando, gente vai ficando pra trás, outros vão avançando lá na frente, eu tive uma crise de asma que não tinha há mais de 20 anos, e por aí seguimos subindo degrau por degrau, parando um pouco pra tomar água, respirar um pouco mais, e devagarinho o sol vai começando a aparecer no céu, como um alento de que já é quase a hora de se chegar na entrada do parque arqueológico de Machu Picchu.

Na mochila é muito importante levar uma variedade de roupas porque o tempo muda muito – você faz a trilha no frio da madrugada mas durante a subida você sua bastante, ora faz frio, ora muito calor, então você deve estar preparado. Levei um moletom, uma camisa polo e um casaco. Também é necessário levar pelo menos 2 litros de água e um lanche porque lá só tem um único restaurante e nem preciso comentar que é bem caro!

Agora, se você também não quiser fazer essa longa subida, há uma forma alternativa: Sim! Você pode subir a trilha em 20 minutos de micro-ônibus confortável, com ar condicionado! Os bilhetes podem ser comprados em Águas Calientes mesmo e custam em torno de US$ 8 ida e volta. Como sabíamos que voltaríamos muito cansados, compramos os tickets da descida.

Bom, voltando: Chegamos na entrada de Machu Picchu 7:30 da manhã, mortos de cansados. Uma fila enorme já começava a se formar mas conseguimos encontrar nosso guia que fazia todo o seu grupo entrar logo, sem esperar muito. Enfim, chegamos! O lado bom de se chegar cedo é que na hora que você entra, não tem quase ninguém! O parque é praticamente aberto só pro seu grupo, aí você pode caminhar tranquilamente, se perder lá pelas ruínas, fazer fotos mais legais, porque depois das 10 da manhã o lugar fica abarrotado de muitos turistas, mas muitos mesmo!

Logo na entrada pegamos no passaporte o carimbo dos 100 anos que Machu Picchu completava em 2011. Sentamos na grama pra descansar e ficamos admirando o cenário que ali era o ponto principal da nossa viagem Bolívia – Peru. Naquela hora o dia estava começando a raiar, e o vale da Velha Montanha estava coberto de nuvens – a coisa mais linda! Fiquei imaginando como os incas deviam se sentir amanhecendo naquele clima. A gente estava dentro das nuvens! A montanha fica daquele jeito por algumas horas da manhã e lá pelas 9 horas o tempo começa a abrir. Depois que você entra no sítio arqueológico, o impacto é imediato. Você fica horas se perguntando: como? Quando? Por que?… A gente escolheu sentar um pouquinho pra descansar e ficar contemplando as ruínas.

Enquanto as nuvens continuavam encobrindo o lugar, resolvemos caminhar um pouco por ali. Seguimos o rumo contrário ao daquela vista clássica fotografada de Machu Picchu. Fomos subindo alguns patamares e acabamos encontrando uma trilha. Bom, a gente já estava lá, né… Então porque não seguir em frente? Fomos caminhando – mais uma trilha! Seguimos, caminhamos, mais escadas de pedras, andamos, mais terra, mais poeira… Lá pelas tantas aparece uma tenda, e tinha um carinha lá debaixo. A gente ia continuar a caminhada aí ele nos abordou e disse que não poderíamos seguir porque não tínhamos ingressos. A gente nem sabia mas aquela era a trilha pra montanha chamada Machu Picchu. Nós só tínhamos o ingresso pra entrar no parque, não pra montanha. Aí você sabe como é… Conversa daqui, conversa dali… Nós éramos os primeiros visitantes daquele lugar no dia e tentei negociar com ele. Acabei trocando nossas entradas por uma bandeira do Brasil eu que tinha comprado no Mercado do Ver-O-Peso, e tava guardada ali no fundo da mochila. Demorô! hehe

Depois dessa negociada a gente continuou mais essa dura caminhada, como se a subida de 3 horas e meia na madrugada não tivesse sido o bastante. Os minutos foram passando e as nuvens descobriram o céu. Dali a visão de Machu Picchu era privilegiada, acabamos descobrindo que era de lá que foram feitas as fotos clássicas de Machu Picchu, sabe quais, né? Tipo essa aí:

Machu Picchu

Pois é… Agora algumas fotos da trilha:

A vista lá de cima é muito boa, não só de Machu Picchu como de Águas Calientes também. Uma parte da trilha é feita de pedras, outra são uns caminhos bem estreitos. No alto da montanha dava pra ver uma bandeira do Peru. Tínhamos decidido chegar até o topo, mas desistimos perto do final do caminho porque a trilha tava ficando difícil, bem rente ao precipício ao lado da montanha, sem contar o cansaço acumulado da caminhada de madrugada. Então depois resolvemos voltar. À essa altura já não tinha mais nuvem nenhuma sobre as ruínas. Era nossa hora de conhecer mais de pertinho. Machu Picchu em si é cheia de templos dedicados ao Sol, ao calendário, ao condor… Eu queria muito conhecer tudo aquilo de perto, todos esses detalhes das construções, então passamos muitas horas ali.

O lugar é mágico, realmente. Passamos praticamente o dia todo lá, caminhando, parando, sentando, fazendo fotos, nos perdendo do nosso guia, pegando informações ouvindo guias de outros grupos… Enfim, a montanha que aparece por trás das ruínas na cidade perdida dos incas, chama-se Huayna Picchu (“Jovem Montanha”, em quíchua), e é possível também chegar até o topo, só que pra isso você também vai precisar de ingressos comprados antecipadamente, mas nessa nós não fomos hehe.

Saímos de Machu Picchu no final da tarde mesmo, pegamos um dos últimos micro-ônibus que descia pra Águas Calientes. No horário que chegamos no hostel a nossa diária já tinha vencido e nosso quarto já estava alugado para outras pessoas. Aí é claro que nossas mochilas estavam no hall. Conversamos com a atendente  que nos explicou e, tá, tudo bem, tudo tranquilo. Aí pedimos pra que ela liberasse o quarto pra tomarmos um banho antes de a gente sair e ela autorizou, só que tinha que ser rápido porque os novos hóspedes poderiam retornar a qualquer momento. Então tomamos banho e eu me deitei na cama pra descansar “só um pouquinho”… A Helô começou a dizer que não, que a gente ia demorar, que era eu pra eu me levantar e tudo o mais, mas aí ela – que também estava cansada de tanta caminhada e de tanto sono, deitou também “só um pouquinho” e aí adivinhem o que aconteceu? Claro que dormimos! A atendente do local percebeu que a gente tinha demorado demais, e depois alguns minutos (não contados) eis que ela surge batendo e gritando desesperadamente na porta do quarto avisando que o pessoal já estava voltando! A gente se levantou e saiu de lá com a maior cara lavada de sono e de vergonha. Isso não foi legal hehe. Resolvemos fazer hora num barzinho ali perto, comemos um pouco, tomamos limonada e esperamos até pegar o trem de volta para Cusco, onde fizemos alguns outros tours em locais próximos de lá que também fazem parte do Vale Sagrado dos Incas (relatos em breve).

Uma consideração sobre “Machu Picchu: A Cidade Perdida dos Incas”

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