Uyuni: O Salar e o Cemitério de Trens

Uyuni é diferente de tudo. A cidade é minúscula e pintada de branco – reflexo do Salar e do sal que o vento leva. Pouco mais de 10 mil habitantes vivem de uma economia baseada no turismo: albergues, restaurantes, artesanato, agências de turismo e extração de sal. A cidade tem uma via principal e todo o resto em volta. Cachorros imensos andam por ali – aliás o tamanho dos cães nessa região é incrível, temos a impressão que todos são o cruzamento de um pastor alemão com outra raça grande.

Este é o post 5 de nossa jornada Bolívia-Peru. Você pode ler do início em Santa Cruz de la Sierra, ou o post anterior sobre Potosí e suas minas.

As passagens de Potosí para Uyuni custaram 30 bols/pessoa, e durante o percurso pudemos pela primeira vez ver as montanhas com seus cumes cobertos de neve. Na chegada à cidade já percebemos que fazia frio – imagine no deserto. Então, novamente, fomos à busca de um albergue, dessa vez com calefação. Quarto bonitinho, rústico e satisfatório por 60 bols/pessoa no Kory Wasy Hostal. Fizemos a reserva ao esperado passeio ao salar.

Aqui, quero fazer algumas referências – o Salar de Uyuni é o maior salar do mundo, e recebe tours de um à três dias. À noite as temperaturas podem chegar em -25°, o que nos assusta, já que somos de uma região quente e tropical. Assim optamos pelo tour de um dia – lindo, pudemos observar a vila, a ilha dos cactos, o hotel de sal… e um pouquinho da dimensão do deserto. Aquelas lagoas espetaculares que a gente vê nas fotos fazem parte dos tours maiores, e esse é um arrependimento que eu tenho na vida. Então, se você tiver a oportunidade, faça o tour completo – dificilmente você vai voltar na Bolívia para viver essa experiência de novo e, se voltar, já não vai ter o impacto grandioso da primeira vez, e do primeiro amor.

O tour que fizemos foi ótimo – um jeep 4×4 nos buscou cedo, fomos primeiro conhecer o Cemitério de Trens e a última vila que dá acesso ao Salar, onde pudemos observar que realmente ali a precariedade impera. Crianças com traços indígenas e as bochechas queimadas pelo sol, a pele marcada pelas dificuldades da vida. Nesses momentos cai a ficha na nossa cabeça e paramos de querer tantas coisas, tantas posses, tantas marcas. A gente só quer o mundo, e a saúde. Talvez um pouco de amor, de família e de dinheiro.

Seguimos viagem, e o momento era o ideal para começar fazer fotos, registrar em megapixel aquelas imagens: pasmem, o Daniel esqueceu de carregar a câmera e fotografamos tudo no salar com um celular. Então a qualidade das fotos deixa um pouco a desejar, fica valendo só pra dar uma ideia mesmo da beleza natural do lugar. Recomendação: levem bateriais extras. Quem curte fotografar deve ter uma reserva carregada, ainda mais nessas circunstâncias e passeios longos, de um dia inteiro.

Mas Heloisa, e o Salar? O Salar é isso tudo mesmo. Branco, infinito, salgado. Maravilhoso. Tão maravilhoso que você fica boquiaberto e entende o significado da expressão “o sal da Terra”.  Estava no período de seca, sem chuvas – então era tudo branco, muito branco, uma linha no horizonte dividindo o céu do solo; nos períodos de chuva, acumula-se água no piso e ele reflete o céu naquela  imensidão, formando verdadeiros espelhos.  A ilha dos cactos também é interessante, fica no meio do deserto, uma vegetação arenosa e inesperada. Almoçamos uma comida simples e gostosa que nosso guia preparou ali mesmo – primeira vez que comi quinua e lhama na vida! – e no retorno para cidade paramos no famoso Hotel de Sal. Deixamos uma bandeira do Pará anexa à bandeira do Brasil e às demais bandeiras que tinham ali, fizemos algumas fotos e pagamos algum dinheiro – uma gorjeta para o hotel, que é um ponto turístico. Dá pra passar a noite lá, mas as temperaturas chegavam à -25º, então seguimos viagem. Voltamos no 4×4 observando a paisagem pela janela, salgados, contemplando o horizonte.

De Uyuni seguimos para La Paz, onde conhecemos o Chacaltaya e seus 5.400 metros de altitude (relatos em breve)

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