Marajó: Soure

Um lugar delicioso para se conhecer no Brasil é a linda ilha do Marajó. Arquipélago de ilhas próximo a Belém do Pará, é um destino acessível de balsa ou barco a partir dali. Nosso destino escolhido para passar o ano novo era a Praia do Pesqueiro, em Soure.

Como fomos de carro, resolvemos ir ao Marajó de balsa. Ela sai por volta de 7 da manhã do porto de Icoaraci e a a travessia é feita pela Henvil (fone: 91 3246-7472),  o escritório para compra de passagens fica localizado no subsolo do Terminal Rodoviário de Belém (Praça da Leitura, s/n – São Brás, Belém – PA, 66090-500). Dica: comprem a balsa ida e volta com antecedência, pois veículos sem bilhetes fazem fila e correm o risco de não embarcar. Como tínhamos os bilhetes foi tranquilo. Enquanto esperávamos o embarque já tomamos um café da manhã bem paraense no porto, de frente pra baía: tapioca com manteiga e café com leite quentinhos. Bom demais!

Embarcados, subimos para as cabines do barco, na verdade um espaço com diversos bancos, uma televisão e lanchonete. Gostoso é ir sentado do lado de fora pegando a brisa e sentindo vento no rosto. Já na saída dá pra fazer várias fotos, a paisagem é linda e muito amazônica. O ambiente é simples mas seguro, a paisagem ajuda muito no tédio das 3 horas de viagem em um barco.

Chegamos no Marajó, mais precisamente em Salvaterra – de lá, 30km de carro em linha reta até o porto da segunda balsa. Essa é super ­rápida e é a que nos leva até Soure, uma outra ilha. Essa travessia é rápida e dura cerca de 30min – nem descemos do veículo! Chegando lá, desembarque e fomos pro hotel reservado, Eco­ Pousada Paracauary.

Já nessa primeira volta dá pra perceber que o clima na cidade é outro, completamente diferente de centros urbanos. Burrinhos e cavalos na rua, crianças jogando bola, vendinhas de queijo do Marajó e frutas, aquele vento salgado. Se você quer desacelerar e sair da rotina de uma grande cidade, esse é seu lugar. Se você gosta de gente, chão, poeira, esse é seu lugar. Se você gosta de paisagens e belezas naturais, esse é seu lugar. Se você não consegue tirar uma foto sem postar no fb esse não é o seu lugar – o sinal é péssimo, 4G nem pensar. No nosso caso, era exatamente o que procurávamos – um final de ano tranquilo, os dois se curtirem fora das praias hypadas de Belém e superlotadas / supercaras.

Chegando na pousada, que grata surpresa – com uma bela paisagem de mangue e um restaurante de palafita sobre o rio, o visual é rústico e lindo. Não espere luxos, mas sim conforto, um café da manhã delicioso com pães, ovos, frutas, sucos, geleias e, claro, queijo de búfala e muito amor e harmonia. A propriedade é de um casal aposentado que vive alí – simpáticos, conversadores e muito apaixonados ainda, se tratam por amor e falam da vida à dois como uma trajetória deliciosa ❤

Nosso quarto era simples mas eficiente – ar condicionado, banheiro com água quentinha, cama de casal e… carapanã. Sim, carapanãs. Pra você que não conhece essa expressão acostume­-se: ela é típica paraense e designa os temidos mosquitos, pernilongos e afins. Se o mosquito for pequenino e kamikaze (daqueles que ferram até você matar ele), o nome é maruim. Coisas do Pará e nós, como bons paraenses, fomos abastecidos com spray detetizador já prevendo essa situação (uma lista básica pra visitar o Marajó deve conter detetizador, repelente, filtro solar, óculos escuros, roupas de banho, boné, chinelos e roupas leves). Quarto detetizado, fomos em busca da linda Praia do Pesqueiro.

O acesso se dá por veículo – carro, vans, táxis e mototáxis, cerca de 08km do centro da vila. Na chegada da praia tem um espaço de desembarque, onde você pode estacionar se estiver em seu próprio carro, é seguro e tem um flanelinha que fica vigiando (sim, no Marajó tem flanelinha também). Descemos do carro e lá estava ela – a linda Praia do Pesqueiro! Com maloquinhas na areia e uma pequena e rústica estrutura de restaurantes, nos deliciamos com aquele lugar. Já era tarde então sentamos em uma das malocas para almoçar – cerveja gelada, peixe frito, queijo de búfala, farofinha. Ingredientes frescos, comida quentinha e bem temperada!

O ambiente da praia é tranquilo e familiar. Não estava cheio, tinham casais, famílias, um grupo de amigos – mas muito distante dos excessos que vemos em outros balneários nortistas como Salinas e Mosqueiro. A areia é branquinha, o mar salino (uma mistura de rio com as águas do Atlântico, por isso o tom salgado), o vento irresistível. Não tem acesso de veículos na praia, só uns cachorros transeuntes muito simpáticos que circulam por ali 🙂

Vale ressaltar que por conta das correntes marítimas, pode acontecer de em alguns períodos terem arraias. Descobri isso pois percebi que o mar estava vazio, apenas alguns turistas estrageiros tomando banho. Achei estranho e perguntei pro garçom se era tubarão (a desesperada aqui!!!). Não era, eram arraias. Mas arraia em água salgada? Sim, em água salgada e pude comprovar, já já conto uma história pra vocês.

Outro paraíso de Soure é a Praia da Barra Velha, com vegetação de manguezais e infraestrutura modesta – a praia não é super frequentada. A maré estava cheia então tivemos a oportunidade de observar as árvores dentro da água, lindo. Haviam crianças brincando por ali, interagiram com a gente, brincaram com calangos e nos deixaram fazer fotos. Oportunidade única e as fotos viraram um belo registro.

Então agora vamos falar da minha experiência com as arraias. Claro que depois que eu soube da existência delas fiquei apavorada e nem pensei em entrar na água. O acesso ali é difícil e a ferrada de um bicho desses, apesar de não ser fatal, é extremamente dolorosa. Então estava satisfeita tomando sol, comendo delícias e tomando cerveja. Mas eis que meu marido é uma pessoa que gosta de viver perigosamente e me sugeriu fazer uma fotos que iam ficar lindas por conta da paisagem em um laguinho raso – tinham até uns caras pescando do lado, bem tranquilo e seguro. Entrei naquele laguinho raso ORANDO para que nenhum monstro marinho aparecesse. Umas gaivotas surgiram e realmente as fotos ficaram lindas como vocês podem conferir no post. Já estou quase relaxada e até tinha dado um mergulho quanto escuto um dos pescadores gritarem: “Uma arraia!!”. Não é de Deus, gente… Do meu lado. Do meu lado! Não sei como, só sei que eu estava sentada na areia dentro do laguinho e quando ouvi essa frase tomei um susto tão grande que quando dei por mim já tinha dado um salto ornamental pra trás e estava em pé na areia. Sei lá, acho que morfei.

A dita arraia era um filhote, mas já tinha ferrão. Além dela veio na rede também um baiacú (peixe que quando se sente ameaçado incha e possui ferrão tóxico mas não fatal) e uns peixinhos. Os pescadores devolveram os bichos pra água e continuaram lá, felizes e sem medo. Eu, claro, saí da água e voltei pras minhas atividades optando por usar um chuveiro do restaurante sempre que precisasse. O Dani riu de mim o resto da trip, mas também desistiu de entrar na água (muito corajoso também, percebe­-se).

No dia da partida, ainda curtimos pela manhã a praia de Salvaterra – bem mais movimentada que as outras, comemos uma moqueca deliciosa e tivemos a oportunidade de atolar com nossa balsa em um banco de areia, já que a maré estava baixa. Uma viagem que deveria ter sido feita em 04 horas foi feita em quase 07h. Claro que pra gente o perrengue faz parte do sucesso e das histórias pra contar de uma trip, então posso dizer que valeu muito à pena esse Ano Novo e que a gente repetiria, com certeza.

Imperdíveis:

  • Praia do Pesqueiro.
  • Vegetação de mangue na Barra Velha.
  • Comer filé de búfalo com muçarela de búfala.
  • Tomar uma cerveja Cerpa Export bem gelada.
  • Ter histórias pra contar.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s