Mendoza (parte 1): Vinhos! Vinhos! Vinhos!

Se a Argentina é a terra do malbec, Mendoza é a própria fonte. Existem diversos passeios diferentes pela área fronteiriça com o Chile, basta escolher a região produtora de vinho e seguir em frente pra conhecer as vinícolas – você pode ir até de bicicleta!

Chegamos à Mendoza depois de termos passado 15 dias na Patagônia Argentina, entre Ushuaia e El Calafate. Passamos alguns dias em Buenos Aires e de lá pegamos um voo super tranquilo da LAN pra Mendoza, que durou cerca de 1:50h. Chegando lá, ficamos hospedados no Tibet House (General Paz 360), onde conhecemos Karma Apo-Tsang, uma das pessoas mais simpáticas da viagem e proprietário do local, que nos atendeu sempre de forma muito atenciosa e nos deu diversas dicas sobre a cidade. Pra começar que a gente entra na hospedagem e dá de cara com uma foto enorme do Karma abraçado com o Brad Pitt. E pra incrementar mais ainda, a foto está autografada e com um agradecimento escrito pelo próprio Brad Pitt! Hehehe. Durante um bate papo ele nos contou que é ator, e que essa foto eles fizeram durante as gravações do filme “Sete Anos no Tibet”, em que ele contracena com o famoso ator de Hollywood. O Karma é realmente uma pessoa diferenciada hehe. Agora voltando à hospedagem, o lugar é aconchegante e fica bem no centro do cidade. O legal de se hospedar em lugares assim em que a cozinha é compartilhada e que você prepara sua comida e senta pra comer ao lado de um tailandês, um belga, um casal australiano… E assim a gente vai conhecendo pessoas diferentes e vindo de lugares tão diferentes quanto… nós mesmos, afinal.

Fomos à Mendoza para duas coisas básicas: conhecer o Aconcágua (relato em breve) e para fazer degustação de vinhos nas próprias bodegas produtoras. Então vamos ao que interessa! A produção é vasta na região por conta do clima que favorece muito e você pode escolher por onde quer fazer a sua degustação: a famosa Chandon, Pulenta Estate, Achaval Ferrer e Catena Zapata, na região do Lujan de Cuyo; La Azul (altamente recomendada por nós), Andeluna, O. Furnier e Salentein, no Valle do Uco; La Rural, Trapiche e Familia Zuccardi, no Maipu; e Uspallata e Puente del Inca, na região da Alta Montaña; são só algumas das vinícolas que você pode ter o prazer de degustar nas cercanias de Mendoza. Ok, mas como fazer?

O Karma havia nos recomendado algumas vinícolas mais próximas da cidade, onde você acorda cedinho, pega um ônibus que sai do terminal da cidade até a região produtora mais próxima – o Maipu. Logo na descida do ônibus, você pode alugar uma bicicleta e sair pedalando aos pés dos Andes. No caminho é só escolher entre as diversas bodegas do vale do Maipu para dar uma parada e fazer a degustação ofertada pelo local. Algumas são somente vinhos, outras com almoço, outras com entradas, almoço e sobremesas. Enfim, muito bacana! Então essa era a minha opção, né? Claro! Mais simples, divertida, barata e tão feliz quanto qualquer outra, mas… A Helô queria-porque-queria conhecer as bodegas mais distantes porque eram mais bonitas, porque não sei o quê, porque não sei o quê, porque não sei o quê…  Aí, sabe como é, né? Nós fomos… E, gente, devo confessar: vale cada centavo e nós recomendamos muito!

Contratamos o passeio pela companhia Nossa Mendoza e foi bem simples: enviamos um e-mail e fechamos a negociação após trocar algumas mensagens. O tour foi de um dia inteiro, custou US$ 180 e estava incluso o traslado para três vinícolas num carrão novinho, guia especializado em vinhos falando português, e o passeio era privado somente para nós dois. Imagina a gente, dois mochileiros que às vezes não encontram nem lugar pra dormir, acostumados a fazer passeios em ônibus cheios de gente, sendo pegos em um carrão pra um tour privado, e o motora indo buscar a gente na porta de um albergue hahahaha. Bom, negociamos o passeio pra essas vinícolas abaixo, sendo que o valor das degustações não estavam inclusos no valor do tour, e eram pagos diretamente às bodegas (valores em pesos argentinos):

  • 08:45 Saída do hotel
  • 09:30 Pulenta Estate | Lujan de Cuyo ($130/por pessoa)
  • 11:30 Andeluna Cellars | Valle de Uco ($120/por pessoa)
  • 13:00 La Azul | Valle de Uco ($400/por pessoa), com menu em 5 passos harmonizados com os vinhos. Uma verdadeira maravilha!

PULENTA ESTATE

Durante a viagem o nosso motorista (ou guia) nos contou um pouco da história de algumas das vinícolas e acabamos descobrindo que ele era um grande conhecedor de vinhos e, diga-se de passagem, falava português muito bem. Quando fizemos nossa primeira parada, percebemos que haviam outras pessoas em outros carros também na Nossa Mendoza, fazendo o mesmo passeio, quase todo mundo brasileiro. Entrando, eles separam os grupos de acordo com a língua, e o nosso grupo ficou muito legal: dois senhores de Recife com suas esposas, um casal de senhores de Curitiba e eu e a Helô de Belém. Ah, também tinha uma casal paulista mais ou menos da nossa idade, mas logo depois eles debandaram.

O lugar é belíssimo e muito grande, uma propriedade de sabe-se lá quantos hectares com uma ótima vista para o vulcão Tupungato.  A bodega é logo ali, um lugar finíssimo, organizado, possui uma ótima estrutura e atendimento, além de produzir vinhos excelentes! Como era ainda cedo e nem tínhamos tomado café, pagamos somente uma degustação para nós dois, que foi o que quase todo mundo fez pelo mesmo motivo. A guia do local recebe nosso grupo em português e nos encaminha para o subsolo, friozinho e pouco iluminado, dando um clima meio noir pro local, onde nos mostra como é feito todo o processo de produção dos seus vinhos, explica muita coisa a respeito das uvas, tanino, armazenamento, tempo em barricas e os tipos de barrica usadas durante o processo. É uma aula, realmente! Aprendemos inclusive que os vinhos tintos podem ser feitos de uvas claras, que não é isso absolutamente que dá a coloração de um vinho ser tinto ou branco, mas sim as cascas 😉

A degustação na Pulenta Estate é feita lá no subsolo, depois desse ‘mini curso’, num salão com uma mesa já toda preparada ao lado de alguns motores da Porsche e da Ferrari – a Pulenta é patrocinadora dessas duas montadoras, tendo inclusive lançado alguns rótulos temáticos de ambas. Nossos lugares são preparados com um papel à nossa frente pra colocarmos as taças, onde a gente também escreve nossas impressões, sabor e aroma sobre cada um dos 4 vinhos que são oferecidos. Os vinhos servidos são sempre variados, inicialmente são os brancos mais jovens, e depois os mais apurados já com maior retenção nas barricas de carvalho antes de serem engarrafados, e em seguida passamos para os tintos. Degustamos inclusive vinhos com notas de café e de pimentão. Ótimos!

Na saída compramos um Gran Corte ($ 170 pesos) e um azeite ($ 40 pesos) pra trazermos de volta pra Belém – ambos acabaram logo que chegamos de viagem haha.

ANDELUNA 

A segunda parada é na Andeluna, outro lugar belíssimo de se conhecer, a bodega é enorme com muitos móveis de madeira e taças sempre preparadas à frente das cadeiras pra receber os amantes de vinho. O prédio parece um belíssimo oásis no meio das videiras do local, onde a gente também fica livre pra passear, provar as uvas colhidas na mão, e também algumas macieiras no meio da vinícola.

A degustação deixa um pouco a desejar, não pela estrutura em si -que pelas fotos dá pra perceber quando é bonito, mas pela seleção dos vinhos, todos os quatro oferecidos para degustação eram os mais jovens da casa, apesar de saborosos. Como acompanhamento, tivemos queijos e grãos locais. Também provamos um vinho feito de uva torrontés, que não conhecíamos até então, e gostamos tanto que acabamos trazendo também uma garrafa pra casa ($ 60 pesos).

LA AZUL

Um pai deixou como herança cinco fazendas produtoras de vinhos pra seus filhos, cada uma delas foi batizado com o nome de uma cor. Ao final das contas essa foi a única bodega que sobrou: La Azul.

Em uma palavra: IMPERDÍVEL! O lugar não é chique, não é requintado, mas é tudo muuuuito aconchegante. Um clima bem rústico e tudo minuciosamente arrumadinho, dando a impressão de que cada centímetro do lugar foi planejado com muito carinho pra nos deixar muito bem acomodados. Pra você ter uma ideia, até o banheiro do lugar é lindo!

Como diz no próprio site da La Azul, ela é uma pequena bodega que se funde com o céu do Valle de Uco. A entrada parece a porteira de uma fazendinha. Ao fundo a pequena bodega onde os vinhos são de fato fabricados, e ao centro fica o prédio principal, onde funciona o restaurante, ladeado por hortas, cactos, plantinhas e alguns pequenos animais que passeiam livres por ali. É uma casa de madeira com móveis coloridos e os detalhes que apaixonam quem por ali chega por conta do zelo que eles têm com o lugar.

A degustação era harmonizada em 5 passos, como disse anteriormente.

  1. Consomé de abóbora com pãozinho + vinho branco (Obs.: Não é nada de ‘consomé’, é um molho mesmo hehe);
  2. Pasta de beringela com pão rústico + vinho tinto;
  3. Empanada de carne picante + vinho tinto;
  4. Carne / porco + vinho tinho;
  5. Sobremesa + vinho de sua preferência;
  6. Mas por que 6? Não eram só 5?!?! Vou contar lá na frente…

Como eu contei no começo do post, apesar de estarmos em carros separados, fizemos o passeio junto com vários brasileiros, só que nós éramos os mais novos, os outros eram uns casais de mais idade, dois casais de Refice em torno de 50 anos e um casal de Curitiba um pouco mais velhos que eles. Lá pelas tantas durante nossa estada na La Azul, um dos simpáticos senhores que estava na mesa do lado da nossa deu um grito me chamando: “Ei, Danieeeeeel!!!” aí eu olhei e nós todos bêbados depois de inúmeras taças de vinho ele gritou novamente “Eu não tô sentindo mais nada desse negócio de notas de café, notas de chocolate, notas de pimentão… Eu já tô é muito bêbado!!!”. E, claro, todos caíram na maior gargalhada hahahahaha. Depois dessa, o casal de Curitiba resolveu ir dormir. Isso mesmo: dormir por lá… Tinham uns sofás por lá, depois de comer, beber, rir, por que não dormir, né? Hehehe aí deitaram por lá e pronto! Soninho de leve 🙂

Na La Azul, se você gostou muito mais de um tipo específico de vinho, é só pedir mais uma taça desse (ou desses) que eles te servem novamente. Não tem muita conversa, não. E olha, esse foi o dia em que eu mais comi em toda a minha vida! Depois de tanto pãozinho, molho, repetição de taças de vinhos, etc. Ainda vem o prato principal: a Helô pediu a carne e eu pedi o porco, que vem em cima de um purê de abóbora. Foi o porco mais gostoso que já comi na vida! Depois que eu terminei, o rapaz que estava nos servindo veio retirar o meu prato e me perguntou o que eu tinha achado, se estava bom e tudo o mais. A conversa foi assim:

  • Que tal? Tava bom? Gostou?
  • Não… Fiquei triste.
  • Triste? Mas por que?
  • Porque acabou
  • Ahhhh vou já mandar trazer mais um porco pra você então!

Comi de novo!!! E todo mundo ficou rindo da minha cara!!! “Ô paraensezinho bom de boca!” gritavam os amigos do lado hehehe mas eu comi MUITO! E apesar do pessoal ficar me zoando, uma pernambucana tentou fazer o mesmo que eu, só que na hora da sobremesa, e não rolou! Hahahaha E ainda teve mais!

Quando terminamos esse quinto passo da degustação (do porco), a Helô, apaixonada por café, queria um depois de termos nos acabado de comer e beber vinho, aí pediu. O rapaz disse que tinha mas que ele não poderia oferecer naquele momento porque ainda havia um último passo pra finalizar a degustação… O sexto passo surpresa: Degustar o vinho mais nobre da casa direto da barrica de carvalho onde é armazenado!! Então tá, né?  Vamos lá!

Bom, vocês devem imaginar como todos saímos de lá depois de tanto vinho num só dia. O passeio termina na metade da tarde, aí até voltar pra hospedagem são mais algumas horas dirigindo e o tour leva o dia todo e você ainda tem a mordomia de voltar dormindo bêbado no carro da companhia de turismo com um motorista particular 😛

No dia seguinte fizemos um trekking nas montanhas do entorno da cidade e em breve postaremos o relato 🙂 Mendoza é o que há!!

Uma consideração sobre “Mendoza (parte 1): Vinhos! Vinhos! Vinhos!”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s