Ushuaia (parte 1): Pinguins na Isla Martillo

Ushuaia é lindo. Era nossa primeira cidade na Argentina, e a mais ao sul da América do Sul. Conhecida como “O fim do Mundo”, possui belezas naturais de tirar o fôlego, um ambiente tranquilo e um clima sempre frio (ou muito frio, no inverno).

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Chegamos ao amanhecer do dia, vindos de Curitiba e após uma longa conexão em Buenos Aires. Não gosto de voar e dormia um pouquinho quando o Dani me acordou empolgado – Helô, olha isso!!!­Era a natureza arrebatadora nos aguardando no pouso naquele aeroporto minúsculo. Só água, montanhas, e uma pista pequenina como eu nunca tinha visto na vida. Que susto. Que paisagem. Uau, fiquei sem fôlego, e assim Ushuaia me deu as boas vindas.

Os passageiros aplaudiram o piloto – isso mesmo, aplausos pelo pouso mais sensacional que eu já vi. Desembarcamos, catamos nossas mochilas e antes mesmo de procurar um hostel, procuramos o escritório da Pira Tour para comprar o passeio à pinguineira da Isla Martillo.

O escritório fica na beira do porto, bem central e junto a tantas outras agências. A única empresa que faz esse passeio é a Pira Tour, porque tem uma quantidade de pessoas que podem visitar a ilha por dia – é uma reserva ambiental e procuram manter os animais em condições favoráveis, uma quantidade maior de visitantes poderia estressá­-los e causar danos.

O passeio começa cedinho e o ponto de partida é o escritório da agência. Entramos no ônibus e fizemos cerca de 90 km até a Estância Harberton. No trajeto, paisagens lindas, árvores incríveis, muitas fotos e uma explicação sobre como o desequilíbrio do ecossistema pode destruir uma região – centenas de árvores derrubadas por castores e esquilos.

Ao chegar em Harberton, o grupo é dividido em dois – fiquei no primeiro, e iria logo para a ilha. O restante aguarda em terra, pode visitar o museu na propriedade ou tomar café da manhã no restaurante do local. Tomamos o bote, em uma curta viagem de 10 minutos.

No caminho o guia nos deu diversas explicações e orientações de como devíamos nos portar: não pode levar nem deixar nada na ilha, não pode correr atrás dos pinguins, não pode tocá-­los, não pode alimentá-­los e vamos tentar evitar de fazer oooooouuuuuunnnnn ao olhar pra eles! Bastou o guia dizer essa frase e todas as mulheres do barco soltaram um sonoro oun ❤ em referência aos fofos e simpáticos pinguins que já avistávamos na ilha. O guia riu e aportamos.

Logo na chegada o visual é impressionante. Não é um pinguim. Não são vários pinguins. São milhares de pinguins por todos os lugares, lindos, fofinhos, felpudos, simpáticos, correndo, nadando, de touca, fazendo pose. É uma overdose de pinguim, é a coisa mais linda que eu vi em Ushuaia. E o melhor: pinguins são seres extremamente curiosos, eles vem até você, te olham, ficam lá parados, você faz fotos. Até o mais duro coração fica amolecido nesse passeio, não tem como resistir à tanta simpatia e fofura.

Pelo que entendi na explicação do Guia, os pinguins chegam bem pertinho porque a visão deles não é muito boa, então querem entender o que é aquilo ali (no caso, nós).

Explicou também que a tendência é que dentro de alguns anos a ilha fique pequena para a superpopulação de animais, que cresce a cada ano – então é possível que falte abrigo e fêmeas suficientes, e isso gere brigas entre a espécie e muitos migrem para outras ilhas, ou se matem na disputa do território. Só sei que desse futuro apocalíptico não percebemos quase nada, e ficamos somente com a simpatia e carisma desses seres tão fofos. As fotos e os vídeos falam por si.

Passamos cerca de uma hora na ilha, depois retornamos a Estância para visitar o museu e tomar café da manhã (pago no restaurante). Claro que eu não poderia sair do passeio sem uma aventura que deu errado, então cai de bunda no barco, juntei meu ego no chão e segui a vida. Já tinha caído em barco no Titicaca há alguns anos e se contar por aí que sou amazônica e barco na minha terra é meio de transporte ninguém acredita devido minha falta de habilidade. Fomos então dar uma volta e fazer algumas fotos, porque a paisagem de Harberton também é linda. Silencioso, muitas flores, gatinhos e ossadas de baleia dão o tom bucólico do lugar. Havia a carcaça de uma baleia encalhada, o cheiro era muito forte e os moradores disseram que ela estava há cerca de 10 dias ali. Não fizemos fotos disso, mas das ossadas sim e elas são impressionantes. Dá pra ter uma ideia da dimensão do bicho e ao tamanho que ele pode chegar.

Recomendo muito esse passeio. Outras agências fazem o passeio de barco para observação da Pinguineira, mas não descem na ilha. Então vale a pena pagar um pouquinho a mais para ter essa experiência, arrisco dizer que foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida – tanto que até chorei quando vi aqueles animais e o silêncio do lugar. Um tour pra guardar na memória e no coração, com certeza.

  • Pira Tour: San Martín 847 (9410) Ushuaia, Tierra del Fuego. Arg.
  • Tour Caminhada em Pinguineira U$ 100. A entrada em Harberton é paga no ato da chegada, custa 140 pesos argentinos.
  • Levar roupas térmica, corta vento, luvas, câmera e óculos escuro.
  • O passeio está disponível de Outubro à Abril.

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