Deserto do Atacama

Pra mim, o Deserto do Atacama é um intervalo. Intervalo porque fica situado no Chile, mas em uma região fronteiriça com Peru e Bolívia – atravessando Uyuni. Intervalo porque quando fui pra lá, muitas coisas na minha vida estavam em intervalo, e tive uma visão completamente diferente do deserto que teria em outros tempos.

Eu sempre gostei de poeira, chão árido. Tenho a impressão de que na poeira somos mais gente, mais essência, temos maior percepção das emoções, sentimentos e paisagens. E com essa visão decidi ir para o Atacama – viagem organizada em menos de uma semana e com uma vontade louca de me jogar no deserto mais árido do mundo.

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O Deserto do Atacama é conhecido por ser o mais alto e mais árido do mundo – quase nunca chove lá. Tem paisagens espetaculares, o céu mais estrelado que já vi na vida, e uma vila muito charmosa e multicultural chamada San Pedro do Atacama. Lá escutamos as pessoas conversarem em idiomas diversos, as casas são pintadas de terra e os tons de laranja da areia se fazem muito presentes. Eu me apaixonei por esse lugar, achei maravilhoso.

A cidade de acesso a San Pedro é Calama – onde pousam os aviões e de onde saem os ônibus. Saí de avião de Santiago até Calama, e de lá peguei um ônibus para San Pedro. A estrada é boa, o ônibus superconfortável, e o percurso tranquilo. Há também a opção de ir direto de avião da capital até Calama, e pegar no aeroporto um transfer que te leva até San Pedro. Tinha apenas o mochilão e uma mochila de ataque, então foi tranquilo. Recomendo levar a câmera em mãos, pois já na chegada ao aeroporto de Calama você pode fazer fotos ótimas na saída da aeronave – a pista fica de frente pras montanhas, lindo.

Uma vez em San Pedro, o ônibus nos deixa na rodoviária e já podemos perceber que alí o sol é de matar – eu estava de regata e já sentia o calor e a minha cabeça ferver. Como o albergue que havia feito reserva era fora da vila, achei melhor pegar um táxi, que me levou até lá. Olhando de fora, percebemos a quantidade de gente que vive alí e cuja a principal fonte de renda é o turismo. Cheguei no albergue, incrivelmente fresco por dentro. Que delícia! Descobri que as casas são feitas de um material chamado adobe, que é isolante térmico, por isso fica quentinho no frio e mais fresco no calor. Tecnologia de ponta no meio do deserto! O albergue tinha um café da manhã gostoso e quartos privados – só os banheiros eram coletivos. Gostei muito e recomento.

Bom, chega de falar de abergue e de poeira e de estrada – vamos falar dos passeios! Sim, dos passeios porque tem muita coisa bacana pra fazer. Como eu ia passar 08 dias no Atacama, resolvi fazer um passeio por dia – tem gente que faz vários, mas eu preferi fazer só um e ficar com o resto do dia livre pra tomar uma cerveja, ficar sentada na pracinha, enfim, essas coisas turísticas de mochileiro.

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  • Laguna Cejar – É uma lagoa com alta concentração de sal (mais do que o Mar Morto!) – o que não permite que a gente afunde. Lotada de turistas, vale a pena ir cedo para fazer fotos sem tanta gente junto. O passeio ainda incluí uma visita aos Ojos del Salar – mais duas lagoas que parecem duas crateras no meio do deserto cheias de água, e um por do sol incrível acompanhado de uma taça de pisco na Laguna Tebinquinche. Essa última não chega a ser uma lagoa de água, e sim de sal – diferente.  Na volta, já era noite e fomos presenteados com o nascer da lua; uma lua exuberante e linda. Nosso motora parou pra que pudéssemos fazer fotos e curtir aquele momento, demais. Uma recomendação: comece por ele ou pelo Valle de la Luna – são os menos maravilhosos (existe isso? Mas em uma escala de espetacular para maravilhoso, os mais espetaculares são outros, e deixar esses pra depois pode te dar a sensação de que eles são sem graça – o que não é verdade, mesmo!)
  • Valle de la Muerte e Valle de la Luna: o Valle de La Luna tem esse nome por conta do ambiente hostil e que lembra crateras e pedras do solo lunar – dizem que, inclusive, a Nasa chegou a fazer testes na região. Visitamos as Três Marias – formação rochosa – e a Pukara de Quitor, que é um sítio arqueológico situado à cerca de 03km da vila de San Pedro. No fim do passeio, vamos até a pedra do coyote também ver o por do sol – vermelho e lindo. Lá tem alguns vendedores de empanadas e cervejas em lata, então é uma boa paisagem pra fazer um lanche seguido de um brinde (só não vale deixar o lixo lá, tem que catar e levar de volta pro ônibus). É possível fazer esse passeio de bike – se você tiver muita resitência física e não se importar com o calor. Eu optei por fazer com uma agência.
  • Geisers del Tatio: saímos de madrugada, cedo, muito cedo, acho que umas 04h da manhã. Já no caminho nossa guia informa que pegaremos -4°. Socorro, eu estava com uma calça jeans e um casaco pesado apenas. Assim que chegamos, um frio de deixar a gente desesperado. À medida que o sol foi nascendo, a atividade dos gêiseres aumentando, o cenário ficou muito mais lindo. Nunca tinha visto e fiquei impressionada com a força com que eles brotam, podendo chegar à 10m de altura. Um pouco mais adiante, em outro campo geotérmico, nossa guia preparou um delicioso café da manhã, com panquecas e doce de leite! Nesse segundo campo, há piscinas termais onde você pode tomar banho – eu não entrei, preferi fazer fotos das montanhas e do sol. Depois ainda visitamos o povoado de Machuca e vamos até uma região cheia de cactos, alguns com mais de 3m de altura.
  • Salar de Tara: O passeio começa cedo, também na madrugada.  Nosso guia foi nos buscar em um jeep 4×4 – eram cinco pessoas no passeio, mais o guia. Passamos em uma lagoa (desculpem, não lembro o nome!), que refletia as montanhas. O sol estava lindo, apesar de frio. Chegamos na primeira parte do salar, onde o guia preparou nosso café da manhã e ficamos caminhando. Atenção que não tinha ninguém lá – nenhum turista! Chegamos antes de todos, aquela paisagem linda só nossa. Um mix de cores pintandas como um quadro, flamingos, montanhas, verde, árido – tudo jundo! Apaixonante, foi o passeio que mais gostei. Mas calma que ainda tem mais! Após o café da manhã, fomos até a parte arenosa para ver as formações rochosas. Paisagem completamente diferente do início do passeio. Exuberante e espetacular, ficou em primeiro no meu podium 🙂
  • Lagunas Altiplânicas – Eu tinha muitas expectativas nesse passeio. O Dani já tinha ido e me falou tudo de maravilhoso, que era o passeio mais lindo, que ia ficar embasbacada com a beleza desses lugares. Me empolguei tanto com o passeio que decidi deixá-lo por último. Realmente, é lindo! O passeio começa bem cedo, e recomendo a Grado 10 porque eles fazem o caminho inverso das outras agências. Assim, chegamos nas lagunas mais importantes antes de todo mundo! A 4000m de altitude, encontramos: Laguna Miscanti e Meniques. Não tenho palavras, lindas! Em verde esmeralda, refletem as montanhas, é de chorar de tão lindo. Tomamos nosso café da manhã alí, preparado pelo guia e observando a paisagem. Depois ainda  passamos por um povoado antes de chegar ao Salar de Atacama – onde fica a Laguna Chaxa, e podemos ver flamingos! Nessa hora o sol já está de rachar, então vá vestido em camadas para não sentir frio / nem calor.

Todos os passeios que fiz foram pela Grado 10 – recomendo porque o staff é maravilhoso e o caminhão / van que eles usam é bem roots! Não é aquela van tipo perua / microônibus, e sim um truck!

Fiquei no Hostal Puripica, com café da ma  nhã, wi-fi nas áreas comuns, lavanderia, quarto privado e banheiro coletivo.

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3 comentários em “Deserto do Atacama”

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