Florença e uma viagem medieval pela Toscana

“Firenze” ou Florença fica na Toscana italiana, região conhecida pelos famosos vinhos Chianti (considerado por muitos, o melhor do mundo) e pelas belas paisagens naturais em meio a castelos e fortalezas medievais que nos fazem viajar no tempo, levando nossa mente a pensar na idade média e em como deveria ser a vida do povo naquela época.

Se alguém me pedir para resumir a Itália em algumas poucas palavras, eu diria que o país é um museu de história vivo e convidativo. Florença cresceu em meio a disputas com a vizinha Siena. Digo disputas de guerras mesmo, daquelas que vemos no cinema com cavaleiros, guerreiros, canhões e torres. Por conta disso, caminhar pela cidade é uma atração imperdível – a toda hora você se depara com muralhas e fica imaginando como deveria ser a vida na cidade durante este período. Muita coisa ainda está bem preservada e ao longo do tempo foram criadas praças em pontos da cidade com diversas esculturas e antigos prédios que hoje se tornaram museus.

Ficamos hospedados pertinho do Terminal Santa Maria Novella, a estação central de trem da cidade, um ponto estratégico porque é perto de tudo. Caminhamos em direção ao Rio Arno, onde fica a Ponte Vecchio. Após alguns poucos quarteirões, o primeiro susto: a Igreja Santa Maria del Fiore ou simplesmente Catedral Duomo. Digo “susto” porque foi exatamente essa a sensação, a gente se assusta com a imensidão da obra católica erguida no centro da cidade. A catedral gótica foi construída em mármore em diversas cores e em forma de cruz. Se você pesquisar a localização dela no google maps, dá pra ver direitinho o formato arquitetônico da igreja.

Mais alguns quarteirões abaixo, existe a Piazza della Signoria, com o Palazzo Vecchio que hoje é um museu, e diversas esculturas espalhadas pelo entorno da praça, inclusive uma réplica do “David”, de Michelangelo.

Contígua à praça, fica a Galeria Uffizzi que, pra mim, é imperdível. O ingresso custa 8 euros e passeando pelo interior, pude encontrar (e me arrepiar) com as pinturas de Caravaggio, da Vinci e Botticelli com a sua famosa, belíssima, estonteante, atordoante, babante e absurda pintura Nascimento de Vênus.

Sabe aquele papo de o errado que deu certo? Pois é… No dia seguinte queríamos fazer uma degustação de vinhos pela região, pedimos o wine tasting numa companhia de turismo que nos vendeu o tour de San Gimignano e Siena. Ok. No ônibus tinha um guia brasileiro, um chinês, um espanhol, um italiano e um inglês, pra todo aquele povarel de turistas que ia fazer o tour com a gente. Nosso guia nos falou bastante sobre o Chianti e tirou nossas dúvidas sobre as uvas e a produção de vinhos na região, e depois nos falou que o passeio que estávamos fazendo não era para as vinícolas ¬¬ Que barra… A gente até que poderia ter pensado em nos chatear, mas estávamos de férias mesmo e então o papo era curtir o passeio. E preciso dizer pra você que se um dia passar pela Toscana, San Gimignano tem que ser a atração número 1 pra você conhecer! Claro que não nos arrependemos nenhum pouco.

Considerado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, San Gimignano é um forte construído no ano de 63 antes de Cristo, e mesmo hoje muitas pessoas vivem no lugar, segundo o nosso guia, a maioria são os descendentes das famílias que viveram por lá há séculos, e pelo jeito nem pensam em se mudar. E o que tem pra fazer lá? A cidade é a própria atração, então saia caminhando sem rumo, perca-se em meio às ruínas, surpreenda-se com as cisternas e os poços feitos no meio das pracinhas, que aquele povo usava para se manter. Não deixe de provar o Gelatto Dondoli que ganhou o prêmio 2015 de melhor sorvete do mundo!

Está tudo tão bem preservado que alguns famosos filmes medievais foram filmados na região, como O Gladiador (Ridley Scott) ou A Vida é Bela (Roberto Benigni), e até mesmo o jogo Assassin’s Creed se passa por lá. San Gimignano é apaixonante e dá vontade de morar lá 🙂

O passeio também incluiu um almoço tipicamente italiano, com direito a brusquetas de entrada, massas como piatto principale e (aí sim!) um vinho tradicional para acompanhar, e mangiare e bere!

A próxima parada do tour foi em Siena. O ônibus para ao lado do estádio do clube local e lá pertinho começamos o passeio fazendo uma degustação de doces tradicionais. Dali fomos até a Piazza del Campo, onde ainda hoje acontecem uma vez por ano as corridas de cavalo em disputas acirradíssimas entre os cavaleiros representantes das bandeiras de cidades e bairros vizinhos. Eles levam o negócio tão a sério, que a região vencedora ganha uma semana de folga no trabalho, instituído pela tradição da corrida, além de passar os sete dias tirando sarro com os perdedores. Claro que algumas vezes isso dá em brigas, lembrando nossos “torcedores” de futebol.

Só pra ter ideia da intensidade das disputas entre as cidades vizinhas, você se lembra da enorme catedral que citei alguns parágrafos atrás situada em Florença, né? Pois então, até em igrejas eles disputavam (!!!), e Siena projetou o que seria a maior igreja da região, que seria construída também em formato de cruz porque eles não poderiam perder para Firenze. Pra infelicidade do povo, a igreja não pôde ser finalizada como eles imaginavam por conta da praga – a peste negra, que exterminou 2/3 da população na época, e por conta das disputas territoriais que a sucederam. Mas a igreja de Siena jamais vai perder o seu brilho, afinal ela também é linda e vale uma visita. Na saída fomos para o Monteriggioni que é também a última parada do passeio.

A comida faz parte da cultura do povo, absolutamente. Ao passar pela Catedral de San Lorenzo, já em Florença, vire à esquerda e suba a ruazinha de comércio Via dell’Ariento no meio dos camelôs que vendem tudo o quanto é possível fabricar em couro, camisetas descoladas, lenços em seda, calças jeans, ímãs de geladeira (claro!), uniformes de clubes, sapatos, bolsas, jaquetas, enfim… Se você quiser comprar algumas dessas coisas, lá é o lugar pra pechinchar porque eles negociam e muito! Mas mesmo que não queira comprar nada, dê uma volta por lá e siga até chegar à entrada do Mercato Centrale, que é uma maravilha!! Se você quiser fazer o desjejum, pode pedir um café latte, um macchiato ou um espresso (com ‘s’ mesmo), e comer um croissant, um panini ou uma tortinha. Opções é o que não faltam! Mas se for pra almoçar, basta subir ao piso superior: sanduiches, peixes de todo o tipo e pra todo gosto, massas (claro, né?), saladas e até uma escola de culinária.

Vá, veja, viva e coma! Separe pelo menos 3 dias para Florença e região. Se pudéssemos mudar alguma coisa do roteiro, provavelmente ficaríamos um ou dois dias inteiros em San Gigminiano. Mas é claro que vai do gosto e do tipo de viajante. Porém, a Toscana é maravilhosa, não deixe de conhecer porque os 3 dias que ficamos foi pouco, realmente. De lá fomos para Roma, e em breve estaremos postando nosso relato por aqui. Até a próxima! 🙂

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